Opinião – Aníbal Coutinho

Brancos e Rosés: Verdes ou Não

Cheira a sardinha assada de norte a sul de Portugal. As vidas de António, João e Pedro são lembradas por outros créditos, mas a celebração dos Santos Populares marca o arranque da temporada festiva e retemperadora para a maioria das famílias portuguesas. As nossas escolhas privilegiam vinhos brancos e rosés, cuja leveza e frescura se alinha com as novas opções de comida ligeira e descomprometida. Servidos frescos, são adequados para a sardinha no pão, o prato de gambas ou a salada de tomate com atum. Com um pouco mais de estrutura – de vinhas velhas, uvas selecionadas, estágios com alguma madeira, reservas ou castas melhoradoras – as cores veraneantes são opção correta para frango, assado ou em saladas. Até agora não falei em Verdes, ou já? Grande confusão reina entre os consumidores mas, de facto, Verde não é cor de vinho. A denominação Vinho Verde, como a quase totalidade das restantes Denominações de Origem e Indicações Geográficas de Portugal, propõe vinhos brancos, rosés e tintos. Verde pode significar apenas o nome da nossa DOC mais norte-ocidental. Exemplo disso, Muralhas de Monção, rosé de 2016 da DOC Vinho Verde, premiado com a medalha de Excelência do Concurso Uva de Ouro.

“Verde não é cor de vinho. A denominação Vinho Verde, como a quase totalidade das restantes Denominações de Origem e Indicações Geográficas de Portugal, propõe vinhos brancos, rosés e tintos.”