Prova Cega 2016

Ainda precisamos

de aprender o vinho?

Mais vinhos e a afirmação da qualidade do vinho nacional, numa prova que, mais do que uma etapa de um concurso, se tornou numa masterclass para os futuros profissionais da enologia e viticultura

A resposta à questão colocada no título é afirmativa e espelha o caráter mutável do vinho. Enquanto produto, enquanto mercado com especificidades próprias, enquanto herança cultural, o vinho – com especial destaque para o vinho português – encontra-se em permanente evolução e como tal, também os especialistas do setor devem acompanhar essa evolução. Essa parece ser a verdadeira “lição” a retirar da prova cega do Prémio Uva de Ouro, realizada nos dias 5 e 6 de abril de 2016. Uma lição que ficou simbolicamente marcada pelo momento em que Aníbal Coutinho, coordenador da iniciativa, interrompeu uma prova onde participavam mais de 50 profissionais dos vinhos com experiência comprovada, para que todos pudessem aplaudir a geração seguinte, os alunos de hoje, que amanhã levarão mais longe o vinho nacional.

Um teste à alma e técnica dos vinhos
Podíamos dizer que foi uma prova “efervescente”, mas não vamos cair em trocadilhos fáceis. Na verdade, a inclusão de espumantes e vinhos efervescentes na 4ª edição do Prémio Uva de Ouro foi um passo natural numa iniciativa acima de tudo inclusiva: um concurso que junta especialistas, produtores, enólogos, escanções e acima de tudo consumidores, num processo que já tem provas facilmente constatáveis do seu papel democratizante no setor dos vinhos.
Em dois dias de prova, mais de 50 provadores analisaram e pontuaram vinhos tranquilos brancos e tintos, vinhos fortificados e também os recém chegados efervescentes, num concurso que segue os parâmetros dos seus homólogos internacionais e que, fruto do seu elevado rigor, conquistou o reconhecimento do Instituto da Vinha e do Vinho. Aníbal Coutinho foi uma vez mais o responsável pela coordenação desta prova cega, que decorreu de forma exemplar, ainda que o grau de exigência tenha sido elevado. Juntamente com os alunos da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, o experiente enólogo supervisionou uma prova que para além de atestar a qualidade dos vinhos presentes na maior garrafeira de Portugal – a das lojas Continente -, reafirma-se como uma experiência pedagógica, razão pela qual este ano docentes e alunos do Instituto Superior de Agronomia (ISA) e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) estiveram integrados no painel de provadores.

Na verdade, a inclusão de espumantes e vinhos efervescentes na 4ª edição do Prémio Uva de Ouro foi um passo natural numa iniciativa acima de tudo inclusiva

Palavras de quem sabe
Num primeiro dia onde os vinhos brancos estiveram em evidência, ouviram-se vários comentários positivos sobre a evolução deste produto. “Os brancos estão a aumentar de qualidade e crescer, provámos vinhos muito interessantes. Na minha mesa provavelmente provávamos vinhos da região do Douro, dos quais gostámos imenso e os quais classificámos com boas notas”, refere Bruno Antunes, da Associação Nacional de Escanções. Também Bernardo Cabral, eleito recentemente como Enólogo do Ano, sublinha que “a qualidade média dos vinhos que tive a oportunidade de provar, que tem sido muito alta, especialmente porque tenho noção de que muitos deles têm preços bastante competitivos.”
Uma opinião partilhada por António Ventura, que perto do final da prova realçava a qualidade e frescura dos vinhos provados, confessando-se também expectante no que concerne aos espumantes e efervescentes: “Julgo que vamos encontrar vinhos excelentes. Portugal está a trabalhar muitíssimo bem os espumantes nas várias regiões, sabendo que existem regiões com maior tradição e consequentemente maior know-how, mas a verdade é que em todo o país se fazem excelentes espumantes”, referiu António Ventura. O Presidente da Associação Portuguesa de Enologia acrescentou ainda que “Portugal tem vindo a aumentar o consumo de espumantes internamente, para além das tradicionais épocas festivas e seria muito bom transpor essa tendência além-fronteiras.”

Presente no painel de provadores esteve também Nuno da Câmara, um Top Consumidor de vinhos convidado pelo Continente, que revelou que esta experiência foi reveladora. “Estou a gostar muito do que estou a aprender. Gosto de provar vários vinhos e acabo por aconselhar vinhos aos meus amigos”.