Opinião – Aníbal Coutinho

com ou sem reserva

No que toca aos vinhos tranquilos, metade das medalhas Uva de Ouro 2017 foi atribuída a vinhos certificados com a exigência de um designativo de qualidade superior: Reserva, Colheita Selecionada, Premium ou outros legislados na recente portaria 26/2017. Isso atesta bem o acerto do júri profissional e aumenta os níveis de confiança dos consumidores perante a sinalização da medalha numa garrafa. A fasquia só não é mais elevada porque carece de um aperto uniforme e consensual nos critérios de seleção, vinificação e estágio dos vinhos aptos a um título como Reserva. Contrariamente ao que acontece em Espanha, é muito pouco o que a lei portuguesa solicita para a obtenção de um designativo de qualidade, ainda que complementado com exigências internas, quer de uma determinada região vinícola ou de um produtor tradicional. A consequência nota-se em qualquer prateleira, com a palavra Reserva a ser partilhada por vinhos de 4 e de 40 euros. Sei que esta reflexão estagia nos debates dos decisores e legisladores. Enquanto aguardamos, proponho um brinde à qualidade com o vinho tinto Regional Alentejano Herdade São Miguel Reserva 2015, vencedor do prémio Uva de Ouro Excelência.

“É muito pouco o que a lei portuguesa solicita para a obtenção de um designativo de qualidade, ainda que complementado com exigências internas, quer de uma determinada região vinícola ou de um produtor tradicional”